Costura cultural ou comercial?

07 dezembro 2013

Foto: FFW. Primavera/Verão SPFW 2012,
desfile de Alexandre Herchcovitch.
Se em 2010 a moda já agitava o Ministério da Cultura - MinC, hoje, a polêmica é muito maior. Tudo começou quando Alexandre Herchcovitch, Pedro Lourenço e Ronaldo Fraga, estilistas brasileiros renomados, conseguiram verba pública para a realização de alguns desfiles. Parecia que, finalmente, a moda brasileira receberia um pouco da atenção do Governo, se não fosse por aqueles que consideraram a atitude uma grande barbaridade, teimando em ignorar a Lei Rouanet - nela está bem clara a autorização do uso de dinheiro público para fins desse tipo, tanto é que o projeto do Plano Setorial da Moda deverá entrar em vigor, imediatamente, no próximo ano.

A questão chefe do debate é a seguinte: isso será usado em prol da cultura ou do comércio? Simples, para os dois. Porém, temos que ter paciência para avaliar a situação, a moda é muito mais que uma passarela cheia de garotas altas e magras usando roupas de grife. Cada desfile tem um conceito, tem um tema que abrange desde o cenário até a maquiagem da modelo que veste a marca; o que poucos sabem, e preferem deduzir de qualquer maneira, é que muitas vezes os assuntos abordados são relacionados à cultura brasileira, o desfile da Água de Coco na São Paulo Fashion Week Primavera/Verão 2014, por exemplo, foi inspirado nas riquezas, misturas e diversidades do nosso país. Já em quesitos comerciais, será ótimo para a indústria têxtil, de fato a movimentação do mercado irá aumentar.

O destaque não deve ser apenas para os representantes nacionais físicos, que vestem marcas estrangeiras, mas para uma arte que brasileiros também sabem criar e valorizar. A Lei Rouanet, que presa pela proteção e valorização da expressão cultural nacional, ajuda muito, é claro, mas ser um pouco patriota e inteligente fará das obras brasileiras muito mais. Quem sabe algo tão grande quanto as estrangeiras são para nós. 

Os brasileiros, há um bom tempo, insistem em idolatrar as tendências vindas de fora; do mais exagerado ao mais simples, sempre acabamos admirando. A verdade é tão completa que modelos como Gizele Oliveira, freelancer internacional que, atualmente, trabalha em Miami, afirmam que a moda exterior é de fato muito bem estudada, sendo todo trabalho uma reconstrução do passado. "Indústria comercial são essas tendências que vêm e vão, o que a mídia dita. Moda de verdade é cultura, é arte.", comenta Gizele. Já para Ingrid Aver, modelo que residia em Milão, toda forma de história é cultura, mas sem dúvidas tudo relacionado à moda está em torno da indústria comercial. "O mundo é capitalista, as pessoas produzem pensando no retorno, no capital. É uma forma de mercado onde você gasta e investe, mas tem retorno, lucros ou prejuízos. É como qualquer outro mercado ou profissão.", afirma. 

O objetivo nem sempre pode ser o dinheiro, mas mesmo se fosse, seria compreensível. Se mal temos cooperação do Governo, por que não devemos pensar no retorno? Realizar um desfile custa, formar uma equipe que organize todos os detalhe mais ainda, encontrar modelos específicas nem se comenta, enfim, constituir toda a obra que é a moda tem sim um altíssimo custo! Se alguém ao menos patrocinasse seria muito mais fácil para os brasileiros, principalmente, para os estudantes, que cada vez mais se aterrorizam com a condição do mercado. Se o país não estivesse dando atenção ao assunto neste momento, nós logo nos renderíamos ao império estrangeiro, esquecendo mais um detalhe nacional. 

Agora e, principalmente, em 2014, a história será outra. Uma prova disso foi a SPFW 2014 Outono/Inverno, que teve inúmeros desfiles realizados em espaços públicos de São Paulo. Com os grandes investimentos e projetos para o Plano Setorial da Moda, os benefícios serão equilibrados tanto para profissionais quanto para pessoas comuns, se hoje não podemos frequentar desfiles fechados e limitados, talvez, no futuro, com mais conhecimento e interpretação, possamos desfrutar também desse pedaço de arte brasileira. Pedaço que também modificará a economia nacional. 

Escrevi esse artigo em agosto, mas resolvi postá-lo agora, pois ele é uma introdução para uma entrevista que será divulgada em breve! Aguardem. =)

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