Gizele a go-go

09 dezembro 2013

Foto: arquivo pessoal de Gizele
Gizele Oliveira, 20 anos, conta como foi trabalhar em Londres, no Reino Unido, e fala sobre um assunto polêmico no Brasil: moda é cultura? A modelo brasileira, que está completando três anos de carreira, elogiou também a mudança na organização do SPFW 2013, que teve a presença do estilista alemão Karl Lagerfeld e da top model Gisele Bündchen.

Ser modelo no exterior parece não ser uma tarefa fácil. Como é encontrar uma agência que dimensione tantos locais e trabalhos? 
Cada lugar que a modelo vai tem uma agência diferente, porém é a agência mãe quem manda você para os lugares e quem autoriza ou não uma outra agência a cuidar de você. A minha agência mãe é a Ragazzo, de Vitória/ES. Já em Miami, é a MC2; em Los Angeles, a LA Models; e, em Londres, é a Storm, a mesma da Cara Delevingne e Kate Moss.

Ir para fora do Brasil já é um grande passo na carreira de uma modelo, quais foram os seus principais trabalhos?
Os principais trabalhos de qualquer modelo são os que fazem ela crescer profissionalmente. Ter aquele cliente que te ama e sempre te contrata, eu, por exemplo, tenho vários assim, graças a Deus! Afinal, esse é o sonho de qualquer modelo. Os mais legais para mim foram "Avon", que eu fiz em Nova York, foi minha primeira vez lá, tudo diferente e gigante... Também a "2b", que é uma segunda marca da americana "Bebe", eles sempre me contratam, sempre em locais diferentes, e são legais; eles que me levaram para Las Vegas, foi aí que finalmente conheci o último dos lugares que ainda faltava nos Estados Unidos, já fiz trabalhos no país inteiro! É legal também trabalhar para "Asos", uma loja grande que todos conhecem! Sempre vejo várias fotos minhas por aí que são de lá.

E como é a reação dos estrangeiros ao se deparar com uma modelo brasileira? Qual a imagem que eles têm do nosso país quando o assunto é moda?
Toda vez que alguém me pergunta de onde eu sou e eu respondo “Brazil”, eles logo dizem "Oh Braziiiiil!" Alguns falam que foram e se apaixonaram, que lá é lindo! Outros que lá só deve ter gente incrivelmente linda, porque eles só vêm modelos bonitas e diferentes brasileiras. Nenhum tem a visão que do povo brasileiro. Os estrangeiros respeitam e te admiram até mais. Uns já me perguntaram se eu sabia sambar e pediram para ensinar! Eles são super fofos!

Foto: Tirade Magazine
O SPFW 2013 foi diferente, os desfiles não aconteceram no mesmo local, na Bienal, e muitos foram em lugares públicos, tendo mais contato com as pessoas e, de certa forma, divulgando esse pedaço de cultura brasileira para todos. O que você achou disso? 
Achei incrível! Foi muito legal ver que o povo das ruas parava para assistir, foi o melhor jeito de chamar atenção para o maior evento de moda que temos no Brasil.

Nesse evento, recebemos duas grandes visitas: o estilista alemão Karl Lagerfeld e a nossa top Gisele Bündchen! Qual o motivo, na sua opinião, dessas presenças tão significantes na moda para o evento? Teve até show da rapper britância M.I.A., garota propaganda da sub-marca da Versace. Mudou muito, não? 
Eu, como sou capixaba e nunca morei em São Paulo, nunca tive a chance de conferir nenhum dos eventos, mas sempre acompanho tudo online. Esse ano, vi muitas fotos do SPFW e também do Fashion Rio no Instagram da Vogue Itália, por exemplo, que é uma das maiores Vogues do mundo. Essa festa da Chanel, onde o show aconteceu, foi demais! Isso fez com que o mundo visse mais a moda brasileira e os olhos se voltaram pro nosso país finalmente para uma coisa boa!

E você já recebeu algum convite para desfilar no SPFW? Pretende assistir às próximas temporadas aqui? 
Não tenho agência em São Paulo ainda, mas sou muito baixa para as passarelas, tenho 1,75cm e eles gostam das meninas com mais de 1,77cm, sei que para muitos são "só 2cm", mas faz muita diferença quando se está perto de quem tem 1,80cm! Eu queria muito poder assistir aos desfiles um dia, seria legal!

Essa mudança no SPFW também tem muita relação com a polêmica dos três estilistas brasileiros (Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga e Reinaldo Lourenço) que pediram dinheiro público, conforme as premissas da Lei Rouanet, para investir na moda como cultura. O país deveria ser mais valorizado nesse ponto? 
A arte em si deveria ser valorizada. Para mim, essa pobreza intelectual e esse tanto de violência que existe no Brasil são por essa questão. Se as pessoas fossem mais intelectuais ou entendessem mais sobre assuntos como arte e moda (que estão mais do que ligados) não seria assim. Não é só em educação e saúde que o país deve investir, mas sim em tudo que envolve o amor. Se o país realmente investisse nisso e em outras questões parecidas, seria com certeza a solução de todos os problemas!

Se o Brasil tivesse mais suporte e condição no setor de moda, você voltaria para cá? Ou melhor, você acha que teria alguma chance do Brasil se igualar a Milão, na Itália, ou Paris, na França? 
A moda no país é fraca, não temos tantas marcas que pagam bem para uma modelo. Eu não sei quanto a São Paulo, mas se eu trabalhasse pelo menos cinco vezes por semana no Brasil, não ganharia nem um dia do que me pagam aqui fora. No meu caso não vale a pena voltar para ficar. E só pela diferença das pessoas na rua, o jeito que elas se vestem (e não é pelo dinheiro, qualquer um na Europa se veste muito bem), acho que está bem longe...

Será que se o Brasil tivesse apoio do Governo, ele poderia se tornar uma das capitais desse setor? 
Vou ser sincera e falar o que penso: primeiro a moda brasileira tinha que parar de imitar as peças gringas e começar a ser mais Brasil. As marcas sempre copiam as roupas que são tendência nos Estados Unidos e Europa, é isso! Ninguém cria nada, se cria a moda, geralmente, não pega. Acho que deveria existir mais criatividade e valor à cultura brasileira nesse sentido.

Foto: Editorial Luxe, by Hanna Hillier
Faculdade, cursos, o que de fato poderia ser usado para enriquecer e conscientizar as pessoas de que moda também é um pedaço da história do seu país e povo? 
Olha, acho que o jeito mesmo é começar a ter cursos mais acessíveis, roupas mais baratas, pessoas que realmente entendem de moda falando dela... Isso faria com que as pessoas conhecessem mais. E claro, as escolas falarem mais de moda nas aulas de história e geografia! 

Infelizmente, muita gente afirma que falar sobre moda e que a moda em si é inútil, qual sua opinião sobre isso? 
As pessoas que dizem isso não conhecem a moda. Eu não sou tão entendedora do assunto, mas vivo dentro dela e sei que há muito trabalho duro envolvido. O meu trabalho é só fazer a peça do estilista ficar irresistível ao consumidor, tem muito mais por trás! Muita pesquisa, criatividade... O povo brasileiro não dá valor para a moda, só querem usar o que dizem que é tendência e para muitos a moda/estilo é viver de tendências. Muitos também acham futilidade, afinal, acham que moda é isso: comprar roupas todo dia, daquelas que você talvez nem use e se vestir será três ou quatro vezes até enjoar.

Falamos muito em moda até agora, o que ela é para você? 
A moda é a minha vida. Eu faço sempre questão de prestar bastante atenção no jeito que as pessoas se vestem, do estilo que cada marca propõe, como os stylists trabalham... Acho que moda é muito mais do que isso que as pessoas vêm. É o amor da minha vida.

O ano já está acabando, novas propostas, contratos e viagens... Quais são seus novos projetos?
Meus novos projetos são muitos! Vou voltar para Miami no começo do ano, depois de exatamente um ano que pisei pela primeira vez lá. Vou cuidar mais do meu corpo e beleza, correr atrás de mais agências em mais lugares do mundo... E comprar minha casa!

Gostou da Gizele? Então, acompanhe o Gizele a Go-Go, lá ela fala bastante da carreira e dos países por onde passa. 

2 comentários:

  1. Muito legal e interessante! Acompanho o trabalho dela e esse post deixou mais claro algumas coisas rs.

    http://garotasdevidro.blogspot.com.br/

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