No escuro da sala

15 março 2014

Foto: Bianca Ogliari
Não passa uma brisa
Se passar, o cheiro passa também,
Como fumaça que os pulmões não suportam.
Passa como desagrado, como desespero, passa. 
O prazer de viver de janelas escancaradas para a vida 
E os barulhos lá da república. 
E os ônibus. 
O porteiro já sabe da infelicidade de cor. 
Curitiba e seu espírito europeu, cidade sorriso e outras coisas que escuto, 
É sem dúvida peculiar, casulos e mais casulos dentro de um caldeirão, 
Espremido dentro de um só espaço pulsante. 
Da vivência e convivência, perto do inferno e caminho do abismo, 
A cidade sorriso se tornou como estalos de dedos. 
Pulsante. 
Porcos pela cozinha, metáfora para disfarçar o repúdio. 
Sentimento de vomito. 
Dois chutes, um cuspo.
O lado bom é da porta pra fora, na biblioteca, e outros ares. 
A zona da atmosfera o mundo no mesmo teto que eu. 
Essas pessoas se aninham todos no maior amor contra uma parede a ver as horas passar, 
Sábados espalhados às folhas do jornal.
O doce pecado é bem à porta de minha casa. 
O falecimento também, nem se ouviu.
Dos quatro ônibus a recompensa vem no café que não é café
A volta de sempre, por fim é sempre o último ou o primeiro lugar. 
Entre as trocas infinitas dos olhares e a mesma parada 
E mais 500 metros de distância
Sinto a partida quando nem veio a chegada.
Até pareceria cinema, se fosse você
Cada esquina, cada encontro, cada prédio velho. 
O casal judeu 
O homem que secretamente lê Autoajuda.
O homem que afia uma faca no passeio público.
Da calma e do perfume.
Da peste em si, até seria você, se passasse uma brisa-fria.

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