ASSISTA: NEBRASKA

18 abril 2014

Foto: O Pipoqueiro
Woody Grant (Bruce Dern) é um homem idoso que acredita ter ganho US$ 1 milhão após receber pelo correio uma propaganda. Decidido a retirar o prêmio, ele resolve ir a pé até a cidade de Lincoln, em Nebraska. Percebendo que a teimosia do pai o fará viajar de qualquer jeito, seu filho David (Will Forte) resolve levá-lo de carro. Devido a um acidente, o filho decide mudar um pouco os planos, passando o fim de semana na casa de um de seus tios antes de partir para Lincoln. Só que Woody conta a todos sobre a possibilidade de se tornar um milionário, despertando a cobiça não só da família como também de parte dos habitantes da cidade. 

Nebraska é um filme sentimentalista, refletido em uma paisagem sem vida com pessoas frias. Tais atributos são reforçados fortemente na bela e delicada fotografia preto e branco, que remonta e envolve a nostalgia dos personagens. 

Foto: Aceshowbiz
Alexander Payne monta a história com sensibilidade, sua marca registrada. Buscando sempre o realismo e tentando nos mostrar os detalhes da vida que não percebemos. Tudo é tão puro. O diretor aposta em planos abertos e diálogos aprofundados. Porém, a verdadeira riqueza do filme é a simplicidade. Um filme carregado de mensagens sobre a vida que é tão bem escrito e ao mesmo tempo tão bem feito em uma incrível direção de artes. 

O drama remonta as relações do passado, basicamente. Para Woody, o prêmio tira sua monotonia e conforto, e torna seu objetivo concreto pela primeira vez em sua vida. A construção de argumentos priorizada no roteiro de Bob Nelson é apaixonante, com um humor extremamente cruel. A família se torna o ponto chave na história, seja a relação entre Woody e seu filho David ou com a gananciosa família. Aos poucos se percebe que o filho nunca conheceu tão bem o pai. 

Foto: Aceshowbiz
Portanto, além da fotografia, é a descomunal atuação do longa, que saí absolutamente fantástica. Bruce Dern fez a melhor atuação, provavelmente de toda sua carreira, como o cansado e antipático Woody em poucas palavras. Já Will Forte, que nunca teve destaque em seus papéis, não fez mal ao interpretar o compreensível e gentil David. June Squibb arrasou no papel de Kate Grant, mulher de Woody, rude e ríspida que transmite a personagem com determinação sem perder o sarcasmo. Kate é uma velhinha improvável que fala muita besteira com naturalidade. 

Nebraska é delicado, pessimista de certo modo, mas a história é tratada com leveza. Uma mistura de um humor irônico e drama que explica as distâncias e a relação amor/ódio de familiares. Alexander Payne embala as lições da vida com uma belíssima trilha sonora em um Estados Unidos esquecido. A jornada de pai e filho torna-se muito mais preciosa do que um milhão de dólares. É uma poesia cinematográfica maravilhosa.

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