Ela deveria ter voltado "americanizada"

19 maio 2014

Cena do filme "The Gang's All Here".
Foto: Divulgação
"Quem é Carmen Miranda?" foi o que uma menina de treze anos perguntou para outra enquanto jogava um quiz americano em um smartphone. Se isso é ruim? Bom, idolatrar culturas estrangeiras e esquecer as nacionais é uma coisa, infelizmente, brasileira. O "terreno do vizinho", para nós, sempre parece melhor. A culpa, para variar, é da minha e da sua geração. Sim, não se engane, somos nós. 

Quando Marilyn Monroe nascia, em 1926, Carmen Miranda já revirava o Brasil. Um ícone da moda até hoje, porém só reconhecida internacionalmente. A verdadeira diva brasileira ("verdadeira", pois o sentido da palavra "diva" foi perdido nos últimos sete anos) cortava e costurava as próprias roupas e nos pés usava plataformas italianas feitas exclusivamente para ela. Sobre os acessórios então, "não importa se acharem exagero ou se querem copiar, eu faço e amo o meu trabalho", dizia Carmen. Foi hora da "Pequena Notável" mostrar o que é extravagância.

Nos palcos e no cinema, a brasileira virou "bombshell" nos Estados Unidos. Ninguém, é muito bom lembrar, ninguém fazia aquele estilo de performance na época, ela teve a tal da coragem. Madonna, Jennifer Lopez e Lady Gaga, a "loucura" que essas apresentam não veio da clássica Édith Piaf, como gostam de dizer, foi Carmen quem abriu esse caminho. Pois é, Brasil, hoje preferimos pagar R$1000 para ver de perto quem se inspira em uma musa nacional e mal sabemos quem foi Carmen Miranda. Inclusive, dizem que procurar sobre ela na internet custa bem caro.

Petições e milhares de coisas foram feitas para colocar uma estátua da brasileira no Rio de Janeiro. Drummond e Caymmi ganharam as suas faz tempo. No caso de Carmen, a solicitação só foi aceita há três anos e os bons detalhes são: até agora só temos o local, bairro do Catete; e a escultora, Christina Motta. Pode até parecer piada, mas Motta é famosa pela escultura de Brigitte Bardot -uma francesa- , em Búzios.

A solução para isso, basicamente, não existe, mas seria bem engraçado se a mídia internacional nos mostrasse a quem idolatrar. Maybe, maybe...

Obs: Carmen não nasceu no Brasil, mas em Portugal. Veio ao Rio de Janeiro com menos de um ano e nunca voltou ao país de origem. Sempre se considerou puramente brasileira.
Obs2: meu artigo está disponível originalmente no LONA, jornal-laboratório da Universidade Positivo. Clique aqui para conferir a edição.

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