Tomboy: estilo de vida atemporal

22 maio 2014

Jane Birkin em 1982.
Foto: Pinterest
Há muito tempo o estilo tomboy tomou conta dos guarda-roupas de inúmeras mulheres. Simples, prático e confortável, o modo de se vestir não só influenciou nos looks femininos, mas no novo estilo de vida que as mulheres buscavam. Cinquenta anos depois de dar sua grande entrada no streetstyle, o tomboy continua a receber atualizações, seja no modo mais despojado ou mais chique de vestir. 

Jane Birkin, talvez o maior simbolo do estilo, usava calças cintura alta (chame de hot pants, se quiser), casacos longos -elegantíssimos-, vestidos curtos, camisas largadas, muito crochê e, principalmente, jeans. O comportamento considerado rebelde de Birkin também era um detalhe do tomboy, o modo de vida masculino passou a ser adaptado ao dia a dia das mulheres. Na década de 60, a Revolução Feminista explodia, principalmente, nos Estados Unidos e na Inglaterra; não eram só direitos jurídicos, econômicos e políticos que as mulheres queriam: era libertação.

Foto: Tumblr
A moda, que para muitos parece ser o maior inimigo feminino, foi que andou lado a lado das mulheres durante toda a história. Chanel colocou a nossa frente a calça, ignorou os espartilhos. Yves Saint Laurent mostrou que, apesar do tomboy ser simples, também poderia ser luxuoso e muito elegante, trouxe a coleção "Le Smoking" para mostrar mais uma opção de incrementar o look. Nos anos 70, o estilo tomava uma proporção ainda maior: começou a se vincular com o rock. Parte do estilo "motoqueiro", que conquistou milhares de meninas à la Debbie Harry e The Runaways, o tomboy era ainda mais despreocupado e rebelde, totalmente individual e independente. 

Hoje, isso está cada vez mais claro. Mulheres estão assumindo lugares importantes e estão mostrando que podem ser tão capazes como os homens em qualquer departamento. O que não podemos descartar é que o mundo ainda é muito machista, passando a ideia de que as mulheres ainda são inferiores aos homens, mesmo que exerçam seu papel melhores do que eles próprios. Talvez seja por isso que até na moda as mulheres procurem se parecer um pouco mais com eles. 

Jane Birkin.
Foto: Pinterest
O sexo feminino sempre sofreu por causa do vestuário, desde os espartilhos apertados, para ter uma cintura perfeita, dos vestidos compostos por inúmeras camadas de tecido e incrementados para mostrar que eram da realeza ou como gostariam de ser (sim, foi a moda que colaborou para que muita gente da classe alta tivesse contato "normal" com operárias e mulheres de classes mais baixas), até aos preconceitos enfrentados por usarem vestidos curtos e saias que valorizam o seu corpo. A verdade é que mulher sempre foi julgada pelo o que veste. 

A ideia de usar roupas femininas com teor masculino talvez esteja ligada a essa forma de ver o homem. Para ter os mesmos direitos e ser tratada com o mesmo respeito que os homens é preciso estar vestido como eles. Com um toque de seriedade e classe. Trazendo a tona o sentimento de autoridade, de imposição.

Foto: Pinterest
Esse texto foi publicado por mim, Uliane Tatit, e pela colaboradora Nicole Gulin na coluna Catwalk, do jornal LONA. Nossos textos são disponibilizados toda terça-feira, para acompanhar clique aqui

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