Jeans consome 42 mil litros de água por peça

19 julho 2014

Foto: Canada_Steve
Útil em diversas situações e quase essencial no guarda-roupa, o jeans, apesar da durabilidade e praticidade, possui um problema despercebido pelos consumidores: o impacto ambiental. Segundo a pesquisadora Dawn Ellams, da Universidade Heriot-Watt, na Escócia, o tecido gasta, em média, 42 mil litros de água entre a colheita do algodão e as lavagens diárias. A pesquisa da EJF - Environmental Justice Foundation, constatou uso de 2,7% das terras globais cultiváveis no plantio da fibra, sendo 70% da produção feita por irrigação (15-35% são estimadas insustentáveis).

Na cotonicultura de 2012 à 2013, as pragas destruíram 11% do cultivo total e, segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), esses estragos representam 25% dos custos da produção. Só com algodão, as vendas mundiais de inseticidas e pesticidas equivalem, respectivamente, a 24% e 11%. 

Para reverter o impacto, Ellams desenvolveu o Tencel, uma fibra de madeira que mantém a qualidade e usa um quinto de água, energia e produtos químicos do jeans convencional. Para a engenheira química Fátima de Carvalho, “o jeans seria ambientalmente correto se, além de reflorestado, o algodão fosse orgânico e de corante natural.”, pois o problema, segundo ela, é o tingimento do fio. A partir disso, o algodão colorido e natural virou estudo e investimento da Embrapa, que pretende economizar até 70% da água usada na produção.

Idealizado por Levi Strauss, em 1947, o tecido, criado para mineradores, só foi destaque nos anos 60, quando o rock tornou-o meio de expressão e liberdade. Hoje, o jeans já é mais sofisticado e para Junior Gabardo, estilista da SEXXES, “o custo baixo foi o que popularizou o produto no cotidiano”.


PS: esse texto foi escrito por mim, Uliane Tatit, e editado pela Aline Katzinsky. Originalmente, a matéria foi publicada no portal Teia Notícias

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