CATWALK: VAI TER ROSA SIM!

18 setembro 2014

Desfile Céline.
Foto: Style.com
New York Fashion Week e London Fashion Week trouxeram várias referências à cor que, talvez, você não goste muito: o rosa. Conceitos, reformas e ideias fizeram do vermelho claro, como era conhecido há mais de cem anos, símbolo de várias coisas; motivo pelo qual, provavelmente, seja a cor mais polêmica da nossa paleta de cores quando o assunto é moda.

"Rosa é cor de mulher", nem sempre. Na verdade, o tom era usado por trabalhadores ao final do século XIX. Era assim que a classe operária se diferenciava da elite, que usava cores mais sóbrias, "discretas". Em 1920, o rosa virou cor de criança, assim como o azul. Os tons pastéis combinavam a mobília das casas com as roupas da própria criança, era a harmonia entre ser humano e bem material. Mas é importante lembrar: pouco importava se era menina ou menino usando uma dessas cores; a ideia de distinguir crianças não existia, ao contrário dos adultos, que não podiam usar nenhum dos tons. 

Foto: Pinterest
A década de 50 tornou o rosa uma referência ao público feminino, a cor demonstrava delicadeza e, por isso, foi conectada à mulher, que também era descrita como delicada. Infelizmente, o símbolo de infantilidade foi preservado e, então, surgiu o conceito de que a mulher possuía um "padrão Barbie" de estilo de vida (curiosidade: foi nessa época que a boneca foi criada). Com o "baby boom", a geração seguinte de "mulheres Barbies" eternizou a ideia de que rosa era cor de menina, pois aprenderam a usar o tom desde pequenas e foram ensinadas que aquela era sua cor (a ideia de "eternizar" se deu, principalmente, pelo fato do "baby boom" que marcara a época). 

Na década de 80, a anti-moda foi um dos detalhes que "baniu" a tal cor da mulher. O público feminino não queria mais usar rosa e os estilistas já não produziam coleções com o tom, mas integravam o tomboy e outras referências masculinas que promovessem igualdade às mulheres. O tempo de "revolta" durou até os anos 2000, pois, hoje, o rosa justamente é o braço direito do público feminino, sendo a cor que simboliza suas principais lutas e ideias. 

Foto: InStyle
Particularmente, o rosa é algo que nos deixa com mais cara de menina, sendo ele em qualquer intensidade, desde o mais claro até o mais escuro.  Na última edição do New York Fashion Week e, agora, no London Fashion Week, os tons de rosa claro apareceram com bastante frequência nas novas coleções. A BCBG Max Azria trouxe a cintura bem marcada, roupas com movimento e decotes em V. Tudo isso em tons neutro, como o rosa claro, o nude e nuances em off-white. 

Algumas dicas para quem quer usar o rosa claro sem medo, é combinar ele com outras estampas, como florais. Também é interessante combinar com cores e acessórios mais escuros. No inverno, basta apostar no rosa em contraste com um tom mais escuro, como preto e em todos os tipos de peças, desde uma camiseta até nos casacos. Aquelas que possuem um perfil mais romântico, vão adorar essa invasão do rosa. E quem não é muito adepto deveria experimentar sem medo.

Vale dar uma olhada: a Moschino, liderada por Jeremy Scott, mostrou durante o Milan Fashion Week, na Itália, sua nova coleção e, para combinar com a coluna, também tem rosa. Clique aqui para assistir um pedaço do desfile.
 

PS: o texto foi publicado originalmente na coluna "Catwalk" do LONA, jornal laboratório da Universidade Positivo. Toda terça-feira você pode ler o que escrevemos. Clique aqui para acessar.  

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