Desculpe-me, Oscar de la Renta

23 outubro 2014

Foto: Divulgação/Oscar de la Renta
A "Catwalk" da semana não comentou a morte do estilista Oscar de la Renta. Fui questionada por não ter escrito sobre ele. Se eu queria escrever? Sim, eu queria, mas o tempo nem sempre quer ser meu melhor amigo. Passei a noite de terça para quarta tentando me convencer de que isso não seria um problema para mim. Mas, porra, era o Oscar de la Renta, eu precisava escrever. Ao mesmo tempo, comecei a pensar em todo tempo que perdi. Todos os meios de comunicação, além dos específicos de moda, tinham publicado sobre ele, tarde demais. Ou não. 

Serei sincera, ele não foi meu favorito, porém era um romântico da moda e isso, leitor, dependendo do seu sentimentalismo ou compreendimento pelo assunto, me emociona. E, para falar a verdade, só fui lembrar de tudo isso quando vi o vestido de casamento da Amal Alamuddin, feito por ele. Falando em matrimônio, sortuda foi/é a mulher de De la Renta, casada com um ícone da moda que não pensava em apenas lucro, mas no bem-estar feminino. Vamos ao drama: se está tão difícil arranjar alguém que valha sacrifícios, imagine achar um marido que preencha o guarda-roupa de milhares de mulheres, além do seu, é claro.

Mas o tempo, esse sacana, tirou mais um guerreiro de cena. Outro que nos abandonou foi Gaultier, acho que meu sonho e o seu, leitor, era participar de um prêt-à-porter desse cara, mas o francês decidiu insistir na alta costura e nos cosméticos, o que posso fazer? Nada. Tempo maldito. Se moda tem um cronômetro que não para, agora ela parece estar usando Hyperlapse! Só pode ser brincadeira. 

Quem dera fosse só moda o problema, aliás, não é a moda, mas esse tempo, que está querendo me confundir. O tempo é tão cara de pau que conversa comigo e diz "você precisa escrever isso mais rápido", "quando foi sua última postagem?", "você tem certeza que dá conta?" e blá blá blá. E ele ainda tem coragem de se fantasiar como minha consciência para dizer que isso tudo é culpa minha e que estou tentando me livrar dela colocando-a nele, no próprio tempo. 

"Mais seis minutos e você precisa comer", ele ri ao falar sobre a minha janta. O tempo sabe que eu perderei a inspiração e tempo para fazer tudo isso. Na verdade, qualquer perda é motivo de diversão para ele. Algo no meu cérebro interrompe toda essa loucura e lembra "mas você não estava falando sobre o Oscar de la Renta?". Sim, eu estava. Enrolei para chegar até aqui e dizer que, finalmente, escrevi sobre ele. Talvez seja menos clichê do que colocar os dez melhores trabalhos, as melhores frases (sim, ele tem citações muito boas, pesquise sobre isso, leitor), as últimas coleções e uma pseudo-biografia. Talvez esse texto marque você mais que qualquer outro. Talvez você, agora, queira procurar sobre Oscar De La Renta. Ou, talvez, eu devesse parar de reclamar e fazer o que tenho que fazer. 

PS: hoje, deu tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário