Eu não ia escrever sobre política

25 outubro 2014

Foto: CARF Brazil
Nunca gostei de falar de política publicamente, na verdade, isso sempre me incomodou muito. Tanto porque eu não tinha muito conhecimento quanto porque eu achava que era muita dor de cabeça. Fui alienada sobre o assunto como muita gente. Hoje, não é bem assim. 

O interesse surgiu pela quantidade de porcaria falada, principalmente, nas redes sociais. Na discriminação, no preconceito e nos esteriótipos. Vi gente, que come e passa as férias no outro polo do nosso Brasil, falando mal, muito mal dos nordestinos. Trágico. Também vi aqueles, que nunca trabalharam na vida, publicando e comentando sobre os "vagabundos que precisam de bolsa-família". 

Sou a favor da reeleição da presidenta, preciso esclarecer isso, pois estou sujeita à imparcialidade. Não quero pedir voto ou explicar o porquê da minha escolha, mas dizer que foi ela quem me "conectou" com a política. A falta de respeito ao vaiar a principal representante do país, os xingamentos pelo visual (vi até "feministas" usando termos assustadores), os xingamentos pela roupa que ela usa, as piadas sobre o problema na fala que ela possui (eu, que não fui torturada, sei bem o que é ter problema de dicção) e outros comentários baixos me faziam pensar "mas qual a relação disso com a política?", "o que essas pessoas sabem sobre política?". Foi aí que eu decidi entrar nessa confusão. 

Comecei a prestar mais atenção no que as pessoas diziam sobre o assunto e me deparei com eleitores, de ambos os lados, que não sabiam a diferença entre Poder Executivo, Judiciário e Legislativo. Que não sabiam e não querem saber a diferença entre as ações de um deputado federal e um deputado estadual. Que gostam de persistir no argumento "você deve votar em quem representa a sua classe" e "você estudou na escola "x", precisa votar em quem te ajudou a estar ali". Que sequer leram o plano de governo dos candidatos, nem daquele que irão votar. 

Ano passado, eu fui pra rua. Falei algumas coisas que não deveria, tudo falta de informação (e foram coisas sobre vários partidos e representantes), mas eu queria "mais tesão, menos corrupção". Esse era o meu cartaz. Olhando por esse lado, nem tudo parece estar perdido. Acho que isso não aconteceu só comigo. 

Vejo pessoas achando que todos os meios de comunicação estão certos, que eles são os donos da verdade. Como diria um amigo meu: "existem três verdades: a sua, a minha e a que todos querem", lide com isso. Manipular dados não é tão difícil, difícil mesmo é sair da zona de conforto e verificar essas informações, que estão disponibilizadas nos sites de órgãos públicos e etc. Mas, se esses mesmos brasileiros não estão nem aí para o que fazem seus representantes, imagine se estarão interessados em procurar e compreender dados.

O brasileiro... Não, o povo que age assim não é "brasileiro". Pode ser tudo, menos brasileiro. Aliás, se você for um daqueles que vive para falar mal do próprio país, faça suas malas e procure outro local que te satisfaça economicamente, visualmente e etc. 

Não seja ingênuo ao dizer que só o partido "x" rouba. Não olhe apenas para o teto da sua casa, aliás, que bom se você tiver uma. Não escolha pelo desinteresse ou pela preguiça. A política te afeta diretamente e é você quem paga por ela. 

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