Mulheres de terno

28 outubro 2014

Em uma montagem, a Reuters mostrou os figurinos usados por Angela Merkel, chanceler alemã.
Foto: Reuters
Angela Merkel, Hillary Clinton e Dilma Rousseff têm algo em comum pouco comentado na moda: o figurino. Liso e geométrico. Com cores bem definidas. Cada detalhe, seja de roupa ou estética, são mais analisados do que se pode imaginar. 

A coleção "Les Smoking", proposta por Yves Saint Laurent, na década de 60, foi uma das grandes inspirações para as mulheres que representam cargos políticos. O estilo tinha como ideia trazer o conforto, a segurança e a praticidade da moda masculina para o público feminino. Margaret Thatcher, a "Dama de Ferro", foi uma das primeiras a consagrar o tal figurino. 

O corte em linhas paralelas e a geometria são os principais fundamentos, que nem sempre são reparados, mas que afetam tanto visualmente quanto psicologicamente. Também do anos 60, a moda geométrica é considerada a mais "respeitada" quando se fala em credibilidade. Yves estava mais do que certo ao falar que os traços perfeitos deixavam a mulher mais poderosa. Mas a psicologia ficará para outro texto. É bom ter consciência de que elas não se vestem assim por acaso. 

Foto: Margaret Thatcher Foundation
Ainda falando sobre geometria, o cabelo e os acessórios são tão controlados quanto a roupa. Usando Dilma Rousseff como exemplo, podemos comentar um item no mínimo interessante: o brinco duplo. Trata-se de um modelo tribal da Dior, que idealizou duas bolinhas (de ouro, pérola, seja lá o que você quiser) na mesma orelha. O acessório, que recebeu destaque na moda - e fazia muito tempo que isso não acontecia com um brinco -, encaixou perfeitamente no perfil da presidenta reeleita. 

Sobrancelhas e maquiagem não devem ser motivos de chacota. A ideia é ser diferente mesmo, é marcar uma era. E isso pode ser visto em qualquer livro de moda, a história mostra, por exemplo, que Marlene Dietrich, Carmen Miranda e Elizabeth Taylor usavam esses detalhes para se tornarem eternas. 

Foto: Caras
A brasileira

Dificilmente iremos ver Dilma Rousself vestindo algo diferente no próximo mandato. Seu estilo marcante, dos últimos quatro anos, é totalmente prático e clássico. Alguns definem ele como um “Padrão de chefe de Estado femenista”. O estilo composto na maioria das vezes com peças de alfaiataria, é semelhante às roupas usadas pela chilena Michelle Bachelet e pela alemã Angela Markel. 

Algo que pode não agradar a maioria são as magas “três quartos”, elas podem até trazer certo conforto para a presidenta, mas ao mesmo tempo podem dar um ar de pouca elegância. E esse talvez não seja o único erro cometido por ela ou quem monta seu "uniforme": a peça muito marcada, por exemplo, é um deslize para a candidata. A solução seria adotar o uso mais frequente de saias para poder encurtar o comprimento dos blazzers e paletós. As cores também chamam a atenção. O vermelho, muito utilizado, pode sim trazer à memória o partido de qual Dilma faz parte, mas seria interessante também investir em tons mais escuros e estampas para alongar a sua silhueta.
 

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