Todo mundo já foi Mona Lisa

31 outubro 2014

Foto: David Kitz
Ninguém precisa estar no Louvre ou no outro lado do mundo para descobrir que tem medo e dúvida. Em "O Sorriso da Mona Lisa", isso não é diferente. O tempo entre as épocas pode até ser grande, sessenta anos, mas o comportamento da década de 50 pouco diverge do nosso hoje. O começo soa cômico, justamente, por esse motivo, mas não dura muito e vira drama. Dirigido por Mike Newell, o filme coloca em xeque os padrões de uma sociedade, que, em 1950, era totalmente conservadora quando se tratava do público feminino -não que isso não aconteça agora, é claro. 

Julia Roberts entra em cena. A heroína? Talvez sim, talvez não. A professora Katherine Watson, personagem de Roberts, demonstra um conflito externo que acaba se desdobrando internamente. Curioso. Aí está o tal "sorriso da Mona Lisa", será que ela realmente sabia o que estava fazendo? Mas Roberts é a personagem principal, pode ter seus debates psicológicos, não há problema. É "coisa de filme".

Contraditório, o longa mostra as escolhas que Watson, a professora liberal, precisou realizar para tocar o cérebro de cada aluna. Consequências, é claro que existiram. Tanto existiram quanto as retiraram do colégio. Mas a trama não é só isso, tem romance, sim. O telespectador não só precisa pensar como Julia Roberts, mas precisa ser a atriz. Mas atenção: quem assiste ao filme precisa interpretar. "O Sorriso da Mona Lisa" reproduz um monte de indagações e você precisará pensá-las com cuidado para não falar as tais queridas "abobrinhas" -já que o longa "quebra padrões", esse texto também pode "quebrar". 

Em menos de duas horas, é impossível não se questionar sobre o próprio comportamento. A comparação, nesse caso, é realmente inevitável. Ao menos que você seja muito confiante com sua personalidade e opte por não realizar uma auto-crítica, o que pode acontecer; viva o sorriso da Mona Lisa!


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