Tudo está em andamento

29 outubro 2014

Foto: Clémentine Campardou (Blule)
Nesse final de semana, achei a tão procurada caneca térmica da Mulher Maravilha. Lembrei de um amigo. Na verdade, de uma amizade abalada. Eu tenho dessas. Geralmente, poucas coisas recordam meus afetos atuais. Talvez isso seja um problema. Ou não. Vai saber. 

Provavelmente, eu sou o tipo de pessoa que precisa permanecer um longo tempo distante da outra para poder dar valor. E eu, novamente, vou dizer que isso talvez seja um problema. Uma semana basta para que eu enjoe de alguém. Não sei, minha paciência da tilt. Não consigo suportar o tal ser humano, que pensa que todo está bem, fazer um comentário ou, para ser mais realista, sentir que ele pode respirar. É quase uma afronta. 

"Que horror", você deve estar pensando. Não tiro sua razão. Mas é horrível para mim também. Eu, que me perco no motivo do tal estresse, nem sequer explico para a pessoa. Coitado. Deve estar pensando "o que foi que eu fiz?". E eu, com a minha neura alucinada, respondo "você extrapola meu globo ocular e corrói meus tímpanos". Um drama nunca é de mais. 

Se isso me torna má? Possivelmente... Possivelmente. Creio que isso seja resultado de conflitos internos, de um comportamento familiar reproduzido para a minha geração, de observações alteradas, enfim, de um turbilhão de coisas que eu, a cada segundo, tento mudar.

Talvez eu precise de um especialista. De um psicólogo. Quem sabe ele descongele meu cérebro que, automaticamente, congelou meu coração. Lembre-se: eu nunca disse que seria apenas um drama. Mas, no fundo, isso é verdade. Gostaria muito de poder dizer que é mentira. 

Quase dez amizades foram totalmente perdidas. Umas trinta estão em andamento para meu inferno mais conhecido como: memória. Você, realmente, acha que estou fazendo tudo isso por que quero? Não. Não tem controle. Falo muito. Minha boca, se pudesse, engolia meu corpo todo só para tagarelar. 

Meus dedos são os bonzinhos. Outros estiveram na fase de "andamento" e foram esses "pequenos palitinhos" que tentaram consertar algumas histórias. Olho no olho, cara a cara: com o tamanho da minha língua não dá. A maldita quer falar como se fosse meu cérebro. Mal me deixa pensar nas letras das palavras que vou pronunciar. Enfim, resolvi uma encrenca ou outra.

Desculpe-me, Édith Piaf, mas o seu "non, je ne regrette rien" não funciona comigo. Eu me arrependo de ter deixado a pressa e a falta de paciência terem falado por mim. Mas, até certo ponto, concordo que, se aconteceu mais de uma vez, talvez o problema não seja só eu. Talvez a neura não seja só minha. Talvez seja só minha consciência dizendo "você ainda raciocina, você tem equilíbrio". Talvez, na verdade, tenho certeza: esteja na minha hora de dormir. 


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