PASSARELA MEDROSA

07 novembro 2014

Ronaldo Fraga traz a cidade sonâmbula para a temporada de Inverno do SPFW.
Foto: Zé Takahashi/Agência Fotosite
A "Catwalk" chegou ao fim na última terça-feira. Uma parte de mim confessa que aprendi o dobro sobre moda - sendo ou não por obrigação -, que consegui dividir uma coluna, que comecei a escrever mais rápido sobre o assunto, enfim; a outra, espertinha, me colocou em dúvida: ok, você realmente quer isso? 

É óbvio, a negativa é sempre a pergunta mais pertinente. E não, eu não tenho certeza sobre o que estou fazendo. Eu tenho preguiça e esse é o meu maior problema. Preguiça, pois não tenho certeza que serei capaz de ser tão boa quanto "x"; porque, talvez, eu não consiga conviver com um tipo "y" de pessoas; e, principalmente, pelo motivo de ter outras opções (algo meio "efeito borboleta"). 

Gosto de viver pressionada e só fui perceber isso quando comecei a escrever na "Catwalk". Eu não tinha como reclamar, ou eu fazia ou eu estava fora - e eu não queria estar fora. Mas era uma publicação semanal. Será que eu vou aguentar fazer isso diariamente durante os próximos 20 anos da minha vida? Entro em pânico. Porque, na verdade, mal sei se conseguirei um espacinho sequer na área. Entro em pânico, porque essa suposição é mais que o dobro da minha idade. Entro em pânico, por medo de não conseguir aproveitar minha vida. 

Essa semana, durante o SPFW, eu acompanhei o desfile do Ronaldo Fraga, inspirado no texto do Mia Couto, que aliás é sobre o medo (clique aqui para ler). Até o momento, esse foi o único ponto da moda atual que, realmente, chamou minha atenção. Talvez eu tenha pirado na interpretação - isso não é difícil de acontecer. Mas, dane-se, fez sentido para mim. E são os significados que mantêm minha vontade de aprender sobre moda. 

Meu maior medo de seguir nessa área é encontrar pessoas que tenham medo, que deixem de opinar por medo. Eu, no segundo ano de faculdade, não tenho medo de falar que não gostei - da atual temporada - do "SPFW"; que, apesar de ser um grande passo, é uma vergonha ter a Versace lançando coleção para a massa - é sempre necessário ter um estrangeiro ou a gente é que não dá espaço para o próprio país? -; e que sim, Ronaldo Fraga, Gloria Coelho, o planejamento Versace-Riachuelo e o debate entre Paulo Borges e Altuzarra foram as melhores coisas do evento. 

O cronômetro da minha opinião chegará ao fim em pouco tempo. Apenas dois anos para que tudo se torne "perfeito". Eu terei medo. O porquê a gente sabe. Mas pior ainda é não saber até quando. E isso, além de triste, também me dá medo. 

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