CRÍTICA: A reinvenção de Wanessa

23 janeiro 2015

Foto: Divulgação
O poder da reinvenção, Xainirô! Amadurecida profissionalmente e vocalmente, Wanessa Camargo não é mais a mesma. A imagem foi apagada pelo seu oitavo álbum de estúdio, o DNA, lançado em julho de 2011, no qual a cantora se apoiou à dance music, house e R&B e foi guiada pela produção do brasileiro Mister Jam, além de ter a masterização feita no Sterling Sound, estúdio nova iorquino responsável também pelos discos de Lady Gaga, Britney Spears, Ke$ha e Rihanna. Wanessa criou algo, tecnicamente, inédito no mercado fonográfico brasileiro. 

DNA não inova no mundo Pop, mas apresenta um lado mais interessante na música brasileira. O mercado é amplo, porém, maldoso. Provavelmente, este foi o ponto mais alto de sua carreira, pelo menos até o momento. Vale lembrar que segundo o crítico Jarett Wieselman, do jornal americano The New York Post, a música "Stuck On Repeat" é um dos melhores e mais poderosos singles dançante dos últimos tempos, além de atingir os primeiros lugares nos charts da Europa. E, para ninguém ter dúvidas do quão bom foi 2011 para Wanessa, a cantora foi eleita pela revista Época como um dos 100 brasileiros mais influentes do ano. 


Recheados de hits, a primeira faixa homônima, "DNA", consequentemente apresenta o tema do álbum, identidade. Além de poderosa, é muito dançante com direito à breakdubstep, uma das melhores, sem dúvidas. "Stuck On Repeat" uma música extremamente chiclete, ainda ganhou um remix produzido por Dave Audé (Lady Gaga, Britney Spears, Madonna, Selena Gomez), o que deixou a faixa melhor e mais poderosa. "Murder" poderia ter sido facilmente um hit em mãos de uma cantora gringa, apesar de ser uma faixa mediana. "Worth It" teve um clipe que nos fez duvidar dessa nova era, é uma música morna, como se fosse uma espécie de Work Bitch, batidão. De fato uma das mais chatinhas, descartável. "Sticky Dough" nos dá um ar brasileiro, com pitadas de funk carioca ao longo dos pré refrões, a letra não muito boa e possui até irritantes alterações vocais ao longo da canção, esta contém a participação da rapper desconhecida: Bam Bam. "Get Loud" é um hit potencial, prontinha para as pistas, um ponto alto do álbum. Lembra muito "We R Who We R", da Ke$ha.

"Falling For U" é a melhor faixa  do disco,  não é a toa que hitou nas baladas da Europa, possui uma  vibe house e é uma balada. A novidade está em "Blow Me Away",  podemos dizer que é a "La Isla Bonita" (Madonna) do DNA. Possui um ar latino, que deixou a música poderosa e sensual, um som um tanto diversificado, mas que caiu feito uma luva para o álbum. "Rescue Mission" desacelera o ritmo do álbum, assim como as próximas faixas. Faixa extremamente criativa, relaciona o amor com uma missão, uma missão para resgatar um amor, no fundo ela possui efeitos de uma transmissão de rádio e as batidas do coração, mas não faz perder seu valor. "Tonight Forever" lembra aquelas baladinhas românticas que Britney Spears fazia no começo de sua carreira, levemente eletrônica. "High" outro ponto alto, lembra Madonna. Chega com um ar extremamente potente, batida extremamente simples e que Mister Jam fez um tiro certeiro na produção, assim como Wanessa nos vocais.  "It’s Over" é uma balada clássica. Vocais emocionantes e agradáveis, que lembram Selena Gomez. As faixas bônus preenchem o álbum. Talvez, o único problema do disco seja ainda ser muito genérico e comparável ao das cantoras internacionais, mas não deixa a desejar.
Nota: 8,8



Ainda existe o preconceito por uma cantora brasileira se arriscar a cantar inglês. Alguns amantes do Pop se restringiram ao escutar o álbum, já possuem um conceito formado sobre Wanessa Camargo, cantora de baladas românticas e bregas. O talento da moça é inquestionável, foi corajosa e se jogou no mundo pop, mesmo sabendo que poderia perder parte de seus seguidores, mas isso foi preciso. Wanessa provou que vai ser difícil algum artista brasileiro superar seu álbum DNA, não vai ser para qualquer um. Poucos artistas que pelo seu carisma, versatilidade, talento, criatividade e ousadia conseguem se manter "ativos" e atuantes no mercado trazendo sempre uma imagem reinventada atual, interessante e inovadora. O caso da Wanessa vem provar justamente isso!

Um comentário:

  1. Ameeeei! Tudo lindo, algumas leves críticas que são necessárias, mas muito coerentes! Parabéns pelo post, adorei! A Wanessa merece, esse CD é demais.

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