Sweatshop – três blogueiros em uma fábrica têxtil no Camboja

27 janeiro 2015

Foto: Cena do documentário "Sweatshop Deadly Fashion".
Três blogueiros foram enviados ao Camboja, Sudeste Asiático, pelo jornal Norueguês Aftenposten, para acompanhar de perto a vida dos trabalhadores de fábricas de vestuário. Antes de irem para lá, Frida Ottesen, Ludvig Hambro e Anniken Jørgensen afirmaram ser compradores compulsivos e admitiram que não usam todas as roupas que compram (sendo que chegam a gastar até 600 dólares por mês em compras).

No início a principal reclamação foi referente à umidade no clima e o excesso de areia no local, mas depois de acompanhar de perto a vida de Sokty, uma das trabalhadoras de fábrica têxtil, as reclamações sobre o clima desapareceram. Sokty trabalha sete dias por semana, doze horas por dia - às vezes quatorze, e recebe 130 dólares por mês. Em sua casa as paredes estão todas descascadas, não há uma cama para o colchão, a cozinha, sala e quarto ficam todos no mesmo espaço. ''Nós somos mimados, temos quartos com o dobro do tamanho e o dobro de camas'', relata Frida. 

Em uma loja grande do Camboja, Sokty contou que o preço de uma blusa custa mais do que ela paga de aluguel e do que ela gasta em comida durante um mês. Já em uma loja local, cinco peças custam o preço de um pirulito para os blogueiros noruegueses. Mesmo com o preço baixo, a trabalhadora assumiu que compra roupas apenas duas vezes ao ano e não gasta mais de dois dólares nas peças.

Foto: Cena do documentário "Sweatshop Deadly Fashion"
A experiência do trio não é apenas ver como vivem os moradores locais. Eles passam uma noite na casa de Sokty e, no dia seguinte, acordam cedo para trabalhar na fábrica em que ela trabalha. Eles assumem nunca terem dominado uma máquina de costura antes e, após algumas horas de produção, o cansaço toma conta. A noite mal dormida em um colchão no chão da casa de Sokty é o resultado de dores pelo corpo todo de cada um. A comida oferecida no trabalho é cercada de moscas e cheia de vermes e, segundo Ludving, os banheiros não são apropriados para os trabalhadores. Três dólares foi tudo que eles receberam após doze horas.

Durante o período que estiveram por lá, protestos aconteciam. Os trabalhadores exigiam um reajuste salarial de 30 dólares e reclamavam que com o que recebiam só conseguiam para manter as contas pagas e a comida na mesa e se, por exemplo, ficassem doentes, não haveria dinheiro para pagar um hospital ou comprar remédios.

"As grandes cadeias de moda matam de fome seus trabalhadores", "Agora eu sei o que injustiça realmente significa", "Eu não consigo entender porque grandes nomes não agem?! Façam algo! Se responsabilizem por seus funcionários". Esses foram os desabafos finais do trio que sentiu na volta para casa a necessidade de fazer algo para mudar a realidade desses trabalhadores.

A única marca que se pronunciou sobre as condições de trabalho foi a H&M, que se defendeu dizendo que eles foram a primeira companhia a lançar um plano concreto para permitir o salário mínimo a seus contratados em 2013 e que estão cientes que os salários em manufatura de países como Camboja são baixos. É valido lembrar que péssimas condições de trabalho não acontecem apenas em Camboja. Ano passado, lojas como C&A, Renner e M. Officer tiveram que pagar multa por dar descontos indevidos nos salários de seus trabalhadores, jornadas exaustivas, violência física e tráfico de seres humanos.

O reality-show está disponível online na página do jornal com legendas em espanhol e inglês, em cinco episódios, cada um de aproximadamente dez minutos. Clique aqui para acompanhar em espanhol e aqui para acompanhar em inglês

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