Moda, um dos relógios da vida

13 fevereiro 2015

Foto: @advancedstyle
Hoje, enquanto rolava pelo meu feed do Instagram, vi uma atualização do @advancedstyle (para quem não sabe, o perfil mostra pessoas mais velhas e muito estilosas). "Old is the new black" era a estampa de uma camiseta que eles recomendavam para compra. Achei justo, é uma pena que o dólar esteja tão alto para importar. 

Recentemente, você deve ter visto a campanha da Céline com a escritora Joan Didion, Saint Laurent com a cantora Joni Mitchell e L'Oreal com a modelo Twiggy. Todas elas poderiam ser nossas avós. É 2015, o ano das eternas heroínas. E, para quem gosta de rolar os olhos e chamar isso de futilidade, é bom saber que não é só sobre moda. Na verdade, é sim. A moda é composta de várias células, você, amante ou crítico, só não pode ficar empacado na parte do consumo compulsivo. Sociologia da moda, história da arte, Apolo X Dionísio: thanx, God, we have Google! Agora, faça bom proveito.

Acredito que minha avó tenha sido o meu primeiro contato com essa área. Cabelos, unhas e batom vermelho. Os brincos, colares e anéis dourados. Roupas excêntricas dionisíacas, mas comportamento apolíneo. Lembro bem da primeira vez que ela disse: "Vamos fazer um desfile". Eu e minhas irmãs usamos tudo o que estava disponível naquele guarda-roupa. Algumas fotos terríveis ainda estão nos álbuns de família. Ah, e teve também a época em que, para acalmar os nervos de crianças demoníacas, ela pediu para montarmos nosso caderno de estilo. Infelizmente ou felizmente, não lembro o que coloquei por lá. 

Agora, eu uso batom todos os dias, principalmente, o vermelho. Minhas unhas, na maioria das vezes, também são da tal cor. Minhas pulseiras são douradas. Talvez eu tenha herdado alguma coisa, talvez você tenha herdado alguma coisa da sua avó, talvez todas tenhamos herdado um pouco de Joan Didion, Joni Mitchell, Twiggy e milhões de mulheres que são e serão mais velhas. 

Não é um "crédito" para elas ou uma homenagem por tudo que proporcionaram na moda ou em suas carreiras. É para mostrar que elas estão aqui, podem e sempre poderão inspirar, sonhar, falar, agir e usar. A moda propõe um equilíbrio não só de aparência, mas da mente. Não dá para banir dela o ser humano "X" pela idade, cor da pele, altura, peso, nacionalidade e etc. E também não dá para evitá-la, é expressão, uma cultura, uma história cheia de movimentos e que, hora ou outra, se juntará com outro estilo/tendência/corpo. 

A moda não deixa a opção de "pausa" no cronômetro, pois é tempo, é vida rolando. As escolhas vão além do que a revista ou blog "X" propõem. As opiniões divergem, o conceito de belo não tem regra, está na filosofia. O equilíbrio - visual ou não - é ciência, a geometria não é cobiçada só na moda, senão Michelangelo não poderia ter feito a estátua de David; um engenheiro ou arquiteto não teriam feito o seu querido lar; e, para terminar, até o jornalista não buscaria ser imparcial. 

Procure pelo seu bem-estar, pela sua personalidade (punks, hippies e feministas usaram/usam a moda assim). Tenha o estilo a seu favor: quer ser perua? Seja. Quer ser simples? Seja. Quer mostrar o seu corpo? Mostre. Só lembre de duas coisas: não perca a sua identidade e não persista na ideia de que você não é criativo o suficiente para se expressar, é isso o que milhões de seres humanos zumbis querem. Ignorar a moda é não ter vida, é não querer fazer parte do mundo ou, simplesmente, ser um "chato de plantão". 

PS: quer saber minha opinião sobre os looks do Grammy? Leia minha coluna de moda no Conexão News, é só clicar aqui.

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