CRÍTICA: O GRANDE HOTEL BUDAPESTE

20 maio 2015

Foto: Divulgação
O Grande Hotel Budapeste é um filme diferente, mesmo que os fãs de Wes Anderson, diretor do longa, consigam notar as semelhanças. A questão é que o filme tem um roteiro bem específico, possui uma fórmula arriscada, mas que funciona nas mãos de Anderson, pelo menos até agora. Uma alta comédia bem trabalhada, definitivamente. Os diálogos até lembram os filmes de Lubitsch, sofisticados com um tom que insinuava a sexualidade, porém apresentada de forma inteligente. E essas características fazem parte de 90% das falas do concierge Gustave (Ralph Fiennes).

O Grande Hotel Budapeste é focado no período entre duas guerras mundiais, com um famoso concierge de um conhecido hotel europeu no país fictício de Zubrowka. O concierge contrata um jovem mensageiro e os dois acabam se envolvendo em uma batalha pela fortuna de uma família, o roubo de um famoso quadro renascentista e, também, nas mudanças que atingiram a Europa durante a primeira metade do século XX.

Para o diretor, os aspectos artísticos são umas das mais importantes partes da construção de um filme. Talvez, possa ser isso que originou a conquista de um Oscar de Figurino e outro de Maquiagem e Cabelo. O figurino é excepcionalmente fantástico, com uma postura detalhista e repleto de cores alegres que caracterizam o filme. A direção de arte é maravilhosa, sendo o mais forte aspecto cinematográfico presente no filme.

Foto: Divulgação
Wes Anderson é conhecido por escolher um elenco pesado e O Grande Hotel Budapeste não foi diferente, com nomes como Ralph Fiennes, Tilda Swinton, Jude Law, Adrien Brody, Saoirse Ronan e Léa Seydoux. Ralph Fiennes vive a pele de Monsieur Gustave, com uma atuação notavelmente fria, irônica e calculista. Cada expressão do personagem de Fiennes é calculada e é aí que ele se destaca. Adrien Brody segue com uma interpretação sarcástica, típica de seus últimos trabalhos, assim como Tilda Swinton, que apesar de uma ótima atuação, não foi nada diferente do que já havia feito. Por outro lado, a jovem francesa Léa Seydoux não teve a chance de um grande papel, mas é um nome que ainda vamos ouvir falar muito e a prova disso foi sua breve atuação em Saint Laurent (2014) e Azul é a cor mais quente (2013).

É um filme engraçado e inteligente, uma fórmula que não tem dado muito certo nos últimos anos, como podemos perceber com os últimos longas de Woody Allen (exceto, é claro, Meia Noite em Paris). O longa simboliza uma esperança de que, talvez, a academia tenha novos rumos em relação a quais tipos de filme, realmente, merecem levar um Oscar nas próximas premiações.

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